Tropical idyll

The lovers are contemplated with open eyes,

Hermetic, closed, complete. In eternal light fitting

The impatient hands join in their thirst;

The body of the gracious has broken. The greedy eyes

They reflect the golden impatience of the appointed hour,

Limit and freshness of the touch, temporal fears in the clock;

A possible incomprehensible bite of the animal, the promise

of the still romantic by dark paths, of solitary kisses

of red mouths slip every once in a while

a dead passion;

 

In the street the bitter goodbye silently explodes;

Living is dangerous;

And the driver engages the march of life,

The garbage man cleans up the waste of existence.

 

The foam of the sea in summer is bathed in gold;

The humble being walks on sleepy sands;

Wake the ripe fruits by exuding perfumes

Immersed with the particles of sea air in marriage

atmospheric city;

Sweet air of yellow banana; embarrassed smile

Of the satiated, dancing and wine in sunset brothels;

In the twilight bed, tear and blasphemy of the

disillusioned bitter lover.

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Idílio tropical

Os amantes são contemplados com olhos abertos,

Herméticos, fechados, completos. Em eterno encaixe de luz

Juntam-se sedentas as impacientes mãos;

O corpo dos agraciados quebrou-se. Os olhos ávidos

Refletem a impaciência dourada da hora marcada,

Limite e frescor do toque, receios temporais no relógio;

Um possível incompreensível bote do animal, a promessa

do ainda romântico por veredas escuras, de beijos solitários

do vermelho das bocas escorre de vez em quando

uma paixão morta;

 

Na rua explode silenciosamente o adeus amargo;

Viver é perigoso;

E o motorista engata a marcha da vida,

O lixeiro limpa os dejetos da existência.

 

A espuma do mar no verão se banha em ouro;

O ser pudico peregrina por areias sonolentas;

Acordam as frutas maduras exalando perfumes

Imiscuídos com o ar de maresia em matrimônio

atmosférico citadino;

Ar adocicado da banana amarela; envergonhado sorriso

Do saciado, dança e vinho em bordéis de entardecer;

Na cama crepuscular, lágrima e blasfêmia do

amargurado amante desiludido.

Garage landscape

There is a manhole, where it drains a gray rain;

There is a dark beggar there, alone;

There is a sharp breeze that rebounds dead souls;

How melancholy is the nightfall in this city.

Looking at the windows

The abandoned romantic combs her hair

Its smooth strands stretch straight and golden at dusk

And her heart awaits the sacred lover;

In the early morning the doorman will find

The white body aged desecrated

By webs of urban spiders;

 

I am a twilight close to forgotten cities;

The divine void …

I drank from the milk of paradise;

My chest is tatooed by rusted copper

Rustles devour my soul

There is a glow that disappears in my heart

At dawn I woke up in an elevator,

Tight and dirty with comet dust

On the roof or subsoil

I don’t remember,

They tolled again

The transparent bells.

Paisagem de garagem

Existe um bueiro, onde escoa uma chuva cinza;

Existe um mendigo escuro lá, sozinho;

Existe uma brisa cortante que rebate almas mortas;

Como é melancólico o anoitecer nesta cidade.

Olhando as janelas

A abandonada romântica penteia seus cabelos

Seus fios lisos esticam-se retos e dourados no anoitecer

E seu coração espera o amante sagrado;

No amanhecer o porteiro encontrará

O branco corpo envelhecido profanado

Por teias de aranhas urbanas;

 

Sou uma penumbra próxima de cidades esquecidas;

O vácuo divino…

Bebi do leite do paraíso;

No meu peito tatua cobre enferrujado

Ferrugens devoram minha alma

Existe um brilho que desaparece no meu coração

Na madrugada acordei em um elevador,

Apertado e sujo com a poeira do cometa

Na cobertura ou no subsolo

Não lembro,

Badalaram novamente

Os sinos transparentes.

 

 

Infrared

Fact that women see as owls;

Standing in nests until they get

Lights of sacred clairvoyance in buried shadows;

The night was light with the look of these owls,

The look of a false white feather, and the light

Beat of a dove’s wings; bringing peace?

The man in love set up this camp,

He planted this tree, and took care of it for some time,

He did not know that it was observed and analyzed;

The moonlight of his lonely, reflective nights,

Covered by this look of the nests,

This inquiry and this invasion;

The look stripped him of his solitary life,

She spies on his living,

And fluttered wings toward the camp,

To kiss the mouth of the lover’s shadow.

Infravermelho

Fato que as mulheres enxergam como corujas;

Paradas nos ninhos até conseguirem

Luzes de clarividência sagrada em enterradas sombras;

A noite estava leve com o olhar destas corujas,

O olhar de uma falsa pena branca, e o leve

Bater de asas de uma pomba; trazendo paz?

O homem apaixonado armou este acampamento,

Plantou esta árvore, e cuidou dela por algum tempo,

Ignorava que era observado e analisado;

Os luares de suas noites solitárias, reflexivas,

Devassados por este olhar dos ninhos,

Esta indagação e esta invasão;

O olhar o despia de sua solitária vida,

Ela o espia em seu viver,

E bateu asas em direção ao acampamento,

Para beijar a boca da sombra do amante.

 

 

Vondelpark

Poetry of humanity

declaimed in thy mouth.

 

Poetry of breasts

wrote in my hands.

 

They were yours and they evoked monuments.

 

They evoked eternal

monuments that breathe and throb;

 

Unreachable poetry

molded in beauty

of all the beautiful;

 

The rest of humanity

ask where

she breathed; the living poetry

the organic monument.

 

It is written

Beautifully written.

 

Where they breathed

the ones fed by the monument…

 

Breathe in my hands

on your breasts that evoke monuments.

That evoke monuments.