Eram noites brancas

Eu, meu próprio e amado canibal, me alimentava de mim mesmo

Servia-me fartamente em porções generosas de sou, e de sinto, no banquete da vida

Plenitude existencial sem necessitar de acompanhamento

Uno feliz e independente não há dúvida,

Esplendoroso sentimento

Eu unido a mim em um eterno desmo.

 

Orgulho e estima com uma cobertura íntima de singularidade,

Ingredientes na receita de felicidade,

Não atrelada à nenhuma propriedade,

Apenas a irresistível vontade,

De celebrar a vida e toda a sua majestade,

Imune e salvo de qualquer tempestade.

 

Porém um dia as noites brancas se dissolveram na escuridão doente

Desde então o sol não aqueceu mais o solo da alma,

Não mais fertilizou o adubo emocional e sentimental

Espírito lutador que não se acalma,

Alimentado somente com a moral,

Abrigados pela fé seguimos, pois nada é permanente.

 

Um dia sentarei de novo com ele

No reencontro com o meu amado eu

Repossuir sua alma,

Redescobrir o apogeu,

Degustar novamente com calma,

A felicidade dele.

 

vangogh

Terrasse de café le soir, place du Forum Huile sur Toile (1888), Vincent Van Gogh 1853-1890 ( Rijksmuseum, Amsterdam).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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