Comemoração

No interior do prisma torno-me fragmentado;

Busco o coração me estilhaçando;

Giselle não vê que o amor se colore

Aqui no seu interior e me ilumina

Colorindo, corante, lá no meu exterior;

Giselle tem se colorido de mim;

Tão viva como se o arco-íris

Já se pintando procurasse a água

E como se o sol todo iluminado

Procurasse o fogo;

Girassóis Giselle, girassóis!

Comemoremos apenas por estarmos

Vivos!

Vivos Giselle, vivos!

A que todos os outros veem

Desatentos, e nós como amantes

Nos visualizamos estarrecidos

Esfomeados e florescentes

Perante este milagre;

Giselle, vívidos, comemoremos;

Ao mestre dos mestres, o gentil

Homem-amante pede amor infinito,

Razão da virtude, mesmo que aos

Vossos olhares tais bênçãos se assemelhem

A todas as miragens românticas inaceitáveis;

Porém o áspero em nós se faz macio,

Porque a mulher se faz sagrada;

Beleza mais sublime é beleza palpável,

Se no pedestal em que vive, a envolve

Nas noites o manto sedoso da paixão;

Estamos envolvidos Giselle

Pelo envoltório cristalizado do amor;

Em nós refletem, Giselle, as oblíquas

Convergências; unimo-nos, abracemo-nos,

Beijemo-nos; comemora!

Pois vivos ainda estamos.

 

 

 

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