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Para ela todos são iguais;
para ela tudo é a mesma coisa, o que inicia e o que termina, onde começa e onde acaba;
o que entra e o que sai; branco da neve, sua pele clara, leite de cabra, esperma
escorrendo da indiferença dela mesma; pois a pele é efêmera, gruda-se só ao que é,
nunca mais aqui nos meus pelos ou muito menos aqui na minha boca, mas em tudo, em
todas as partes; ela nada lembra; nem fotografa nenhum momento; se apaga das auras
das coisas vivas; ela aguarda; e se inicia, terminará, se introduz, retirará, como se a pele
tivesse enrugado debaixo da barriga de um sapo, como se jamais tivesse iniciado a se
penetrar em parte alguma; ela esquece de corpos não mais belos que estes.
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