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Catedrais, galerias, vozes e vitrais;
Em outra época vivi a posteridade desses versos;
Tenor, entre as sopranos é que cresci; e lhes cantava
A brancura e a delicadeza; romântico, tive o templo daquelas
Da minha espécie; sonoras alcovas e cantoras e camarins, e por veneração
Pereci; de acanhados palcos e de teatros grandiosos vaguei entre as vidas;
E na época posterior cantei dissonante e longínquo;
A quem me ouvia calei
E na época anterior amei agudamente e lúgubre;
A quem me amava matei;
Esta a razão porque temo o punhal e o amor;
Esta a razão porque escrevo poema assim tão enternecido
Porque receio a voz e a dor
No meu idioma esquecido.
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