E à esquerda e à direita
Na coxia e na boca de cena
As quatro damas da tragédia
Pranteiam seus destinos
E a alma do teatro indaga:
” Que aconteceu com aquele para quem
eu mantinha um templo puro
De âmbito e de domínio
De luzes negras e frias
E de veludo quente?”
Ele não jogará flores no último ato
Entre Valquírias, libretos e lágrimas
Ele jogará o vazio para a contralto
E lembrará sem lástimas
E à esquerda e à direita
Na coxia e na boca de cena
As quatros damas da tragédia
Simétricas, vítreas, sem pena
O esquecerão
Porque ele se desviou do que era atuação
E expulsou a sua alma da eternidade
E se rendeu ao momento de maldade
Dos palcos sem compaixão.
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