Saída do palco à esquerda (2)

E à esquerda e à direita

Na coxia e na boca de cena

As quatro damas da tragédia

Pranteiam seus destinos

 

E a alma do teatro indaga:

 

” Que aconteceu com aquele para quem

eu mantinha um templo puro

De âmbito e de domínio

De luzes negras e frias

E de veludo quente?”

 

Ele não jogará flores no último ato

Entre Valquírias, libretos e lágrimas

Ele jogará o vazio para a contralto

E lembrará sem lástimas

 

E à esquerda e à direita

Na coxia e na boca de cena

As quatros damas da tragédia

Simétricas, vítreas, sem pena

O esquecerão

 

Porque ele se desviou do que era atuação

E expulsou a sua alma da eternidade

E se rendeu ao momento de maldade

Dos palcos sem compaixão.

 

 

 

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